Toxocariose
Toxocariose canina e felina / Biologia

Os adultos Toxocara são vermes grandes esbranquiçados com até 18 cm de comprimento, que parasitam o intestino delgado dos animais de companhia.

Os machos e as fêmeas diferenciam-se sexualmente e, depois da copula, põem os ovos que saiem com as fezes dos animais parasitados. Isto é muito importante do ponto de vista do diagnóstico - permite detectar os animais doentes - e epidemiólogo - as fezes dos doentes contaminam o meio ambiente.

Uma vez eliminados com as fezes, os ovos evoluem no meio ambiente e forma-se, no seu interior, um embrião que se transforma posteriormente numa larva. Em poucos dias (28-32), se as condições ambientais forem favoráveis, o ovo adquire uma capacidade infectante tanto para o cão/ gato como para outros hospedeiros acidentais possíveis, como o Homem, roedores, etc., podendo sobreviver no meio ambiente, e permanecendo viáveis até mais de dez anos.

Quando os ovos embrionados (formas infectantes) são ingeridos pelo cão/gato (hospedeiros principais), as larvas saem do ovo e passam para a circulação, para daí aceder a todos os órgãos vitais (fígado, pulmões, coração, tecido muscular, etc..). Assim, por exemplo, nos cachorros parasitados com menos de 5 semanas, as larvas provocam, com a sua migração através do pulmão, uma série de lesões de várias ordens, dependendo principalmente da resposta imunitária do animal infectado.

Por último, e após migrações complexas, acedem de novo ao aparelho digestivo onde evoluem até se tornarem adultas para recomeçar o ciclo biológico.

Os animais demoram aproximadamente 6 a 8 semanas, desde que ingerem ovos embrionados (período pré-patente) até serem capazes de eliminar novos ovos com as fezes.

É importante indicar uma característica da biologia destes parasitas: determinado número das larvas migrantes são "enquistadas" nos tecidos, podendo viver durante quase o resto da vida do cão-gato do parasitado. Se for uma cadela gestante (nas gatas não se provou infecção pré-natal), durante a gestação, e devido ao imunocompromisso que pressupõe, algumas destas larvas mobilizam-se para alcançar a circulação geral e atravessam a placenta podendo infectar os fetos. Esta característica tem também uma grande importância epidemiológica, uma vez que muitos dos cachorros de mães infectadas, estão intensamente parasitados.

Para além disso, durante a lactação, estas mesmas larvas, latentes nos tecidos da mãe, podem atravessar a glândula mamária para assim intensificar a parasitação do cachorro (esta via é de grande importância no caso dos gatinhos, sobretudo de mães muito parasitadas e sem qualquer controlo sanitário). Nos animais adultos (fêmeas não gestantes ou machos) as possibilidades de mobilização das larvas tecidulares são menores, embora possam ocorrer sob circunstâncias de stress.

Este ponto destaca a importância dos tratamentos antihelmínticos, tanto nos animais jovens como nos adultos (ver Tratamento e Profilaxia).

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Toxocariose canina e felina

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Larva migrans visceral

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