Febre Aftosa

Agente Patogénico

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Lesões vesiculares no focinho...
 
Picornavirus, genus aphtovirus, tem 7 tipos e vários subtipos
 
Etiologia
A febre aftosa (“foot and mouth desease”) é uma doença altamente contagiosa e uma das mais temidas mundialmente, pertencido à lista A da OIE. É endémica na Ásia, África, alguns locais na Europa e na Sul América.
 
Uma vez que a transmissão muito fácil e de propagação rápida, os surtos provocam perdas económicas elevadas na produção, prejuízos no que respeita a exportação e custos elevados em programas de erradicação e vacinação.
 
São susceptíveis à infecção todos os animais ungulados como bovinos, suínos, ovinos, caprinos bem como animais selvagens (veados, búfalos, antílopes, lamas, camelos, girafas, elefantes, ratos) de todos os sexos e idades. Os humanos podem esporadicamente desenvolver formas sub-clínicas da doença.
 
O vírus da febre aftosa (FMD) é resistente a temperaturas baixas e pode sobreviver à congelação, sendo contudo susceptível a pH inferior a 5, à luz ultra-violeta, ao calor e à desidratação.
 
A transmissão acontece através de aerossóis de animal para animal ou através de pessoal, equipamentos ou alimentos contaminados. O vento pode propagar o vírus a muitos quilómetros de distância. Os suínos são infectados por contacto directo ou indirecto ou por ingestão de alimentos infectados. Muitos dos surtos podem ser originados por restos alimentares de barcos ou aviões originários de países onde existe febre aftosa. No passado, até vacinas insuficientemente inactivadas e programas vacinais mal executados funcionaram como fontes de infecção. A infecção dos bovinos é feita pela inalação de aerossóis através das narinas. O vírus replica-se na faringe, entra na circulação sanguínea e infecta o epitélio da mucosa oral, patas (em especial a banda coronária), rúmen e tetos, bem como no músculo cardíaco dos animais jovens. Mesmo antes do aparecimento dos sinais clínicos são excretadas grandes quantidades de partículas virais.
 
A morbilidade é próxima de 100% e as taxas de mortalidade variam conforme as diferentes estirpes, variando entre os 5% nos adultos e os 75% nos jovens. Os ruminantes que sobrevivem permanecem portadores durante mais de dois anos, sem que demonstrem sinais clínicos. Os ovinos apenas demonstram sinais moderados de febre aftosa, o que confere aos ovinos um papel importante na transmissão da doença.

Sinais Clínicos

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… na língua…
 
No seguimento de um período de incubação de 2 a 21 dias ( 3 a 5 dias na maioria dos casos em bovinos), os animais infectados demonstram febre, depressão, descarga nasal e anorexia. O lambimento constante dos lábios juntamente com a salivação excessiva devido às lesões na língua, cavidade bucal e oral são alguns dos sinais característicos da doença.
 
Vesículas com 0,5 a 3 cm de diâmetro aparecem no focinho, tetos, úbere, vilosidades do rúmen, área interdigital, e banda coronária. As bolhas contêm um líquido de cor amarelada. Dois a três dias após o seu aparecimento, as bolhas rupturam, deixando erosões e úlceras dolorosas. Muitos dos animais perdem a porção córnea dos cascos.
 
Com frequência, a cicatrização é atrasada pela infecção bacteriana secundárias das lesões, sendo frequente a deformação das patas e descolamento da úngula como sequelas da infecção vírica inicial. São comuns abortos, perda de peso e queda da produção leiteira.
Vitelos até aos 6 meses podem desenvolver degeneração do miocárdio e morrer em poucos dias sem demonstração de sinais clínicos. Os ovinos desenvolvem apenas sintomatologia moderada.

Diagnóstico

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...e na área interdigital…
 
Os sinais característicos da febre aftosa são: erosões e úlceras da cavidade oral, garganta, tetos, banda coronária e área interdigital, claudicação, febre, abortos, queda repentina da produção leiteira, morte súbita de vitelos ou ovinos jovens.
 
Deve ser realizada a colheita de amostras de fluidos das vesículas, amostras tecidulares das lesões e amostras de sangue heparinizado. Cultura de tecidos, ELISA, neutralização viral, fixação do complemento, precipitação agar-gel e PCR são as técnicas utilizadas para detecção e tipificação de vírus e anticorpos.

À necrópsia, podem ser observadas as vesículas em diferentes fases de desenvolvimento.
Histológicamente, a observação das vesículas revelam engorgitamento das células do estrato espinhoso células (degeneração balonizante). As pontes intercelulares quebram-se e fluidos edematosos e restos celulares infiltram-se nos espaços intercelulares juntamente com neutrófilos. O estrato basal permanece normalmente intacto.

Diagnóstico diferencial
Estomatite vesicular, estomatite paular bovina, herpesvirus bovino, língua azul, casos severos de IBR, BVD/MD, febre catarral maligna em bovinos. Em ovinos, sarna e ectima contagioso.
 
Prevenção
O OIE (Office International dês Epizooties) classifica a febre aftosa (FMD) como uma doença da lista A.
O código internacional de saúde animal da OIE contém os critérios que um país ou zona deve cumprir para ser considerado livre ou indemne de febre aftosa. De salientar que existem países livres com e sem vacinação.

Os países livres mantêm o seu estatuto através da proibição ou restrição da introdução de animais ou produtos animais provenientes de países onde existe febre aftosa (FMD). De qualquer forma, mesmo os países indemnes estão sujeitos a um risco elevado de infecção. Compreende-se por isso que existam planos de contingência preparados para o caso de surtos acidentais. Programas de computador têm sido desenvolvidos para simular possíveis surtos e avaliar os efeitos económicos da erradicação da doença através do abate compulsivo, programas vacinais ou diferentes combinações dos anteriores. As consequências de uma má decisão podem ser economicamente devastadoras.

Os países não indemnes de febre aftosa (FMD) tentam o controlo da doença através do estabelecimento de programas de monitorização, controlo e erradicação. Só depois de assegurada a monitorização e programas de controlo eficazes se pode partir para estratégias de erradicação.
 
Os programas de erradicação são especialmente relevantes em países com uma baixa incidência da doença, dependendo o sucesso destes programas da atenção aos seguintes pontos:

  • Abate imediato de todos os animais infectados ou suspeitos e animais que tenham tido contacto com estes; 
  • Destruição segura das carcaças, por exemplo: incineração acima dos 121ºC.
  • Áreas restritas num raio de 3 km, onde deve ser proibida a movimentação de animais e controlado até o movimento de pessoas.
  • Zona de quarentena num raio de 16 a 24 km a partir do foco;
  • Para o estabelecimento das zonas de restrição e de quarentena, devem ser tomadas em conta critérios geográficos como estradas principais, rios, critérios meteorológicos como ventos predominantes, temperatura e radiação solar, bem como critérios sócio-económicos e comportamentais das populações envolvidas. 
  • Limpeza e desinfecção das instalações
  • Assegurar que materiais infectados não saem das instalações ou da zona de quarentena.
  • Queimar os objectos que em que não for possível a desinfecção completa e eficaz.
  • Repovoação das instalações após 30 dias com animais sentinela como bovinos, suínos ou animais selvagens;
  • Permitir apenas a produção após 30 dias de monitorização clínica cuidadosa dos animais sentinela;
  • Proibir ou restringir a introdução de animais provenientes de países não livres de febre aftosa.
Vacinação
Programas de vacinação regular são favorecidos nos países com alta incidência da doença, onde a erradicação não pareça ser possível num futuro próximo. Os custos dos programas vacinais nesta situação são compensados pela prevenção de perdas económicas por demonstração de sintomatologia clínica e abate sanitário dos animais infectados. Em situações raras podem contudo ocorrer reacções adversas à vacina, responsáveis por perdas económicas consideráveis.
Não existe imunidade cruzada entre as diferentes estirpes do virus da febre aftosa, apenas entre os seus sub-tipos.

Os programas vacinais incluem:

  • Imunização regular dos bovinos (2 administrações com 3 a 6 semanas de intervalo);
  • Boas práticas produtivas e boa gestão dos protocolos vacinais;
  • Monitorização dos programas vacinais pela autoridade competente (DGV);
  • Administração de vacinas mortas aprovadas pelo laboratório da OIE, “ World Reference Lab” (Laboratório Mundial de Referência),
  • Administração da vacina com adjuvante oleoso aos suínos para uma melhor eficácia.
  • Tipificação do vírus de campo no caso de um novo surto e administração da vacina produzida a partir de estirpes do vírus isoladas localmente
Tratamento
O tratamento é proibido em vários países, uma vez que os programas de erradicação exigem o abate dos animais infectados. Mesmo nos países onde o tratamento não é proibido, ele deve ser evitado uma vez que os aniamis infectados excretam grandes quantidades de partículas virais constituindo um alto risco para os restantes animais saudáveis. Se permitidos, os antimicrobianos sistémicos, desinfectantes, imunomodeladores e vestuário de protecção são recomendados para prevenir infecções bacterianas secundárias, combater os sintomas e estimular o sistema imunitário.

Bibliografia
  • Blood D.C., Radostis O.M., Veterinary Medicine, 1989
  • Fraser, C.M. et al., The Merck Veterinary Manual, 1991
  • Leman, A.D. et al, Diseases of Swine, 1994
  • Mayr, A., Medizinische Mikrobiologie, Infektions- und Seuchenlehre, 1984
  • Mayr, A., Scheunemann, H., Infektionsschutz der Tiere, 1992
  • Pensaert, M.B., Virus Infections of Porcines, 1989
  • Plonait, H., Bickhardt, K., Lehrbuch der Schweinekrankheiten, 1997
  • Smith B.P, Large Animal Internal Medicine, 1990