Céstodos

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Céstodo adulto de ovino (Moniezia expansa)

Os céstodos são parasitas obrigatórios, o que significa que a fase adulta do parasita não sobrevive fora do hospedeiro. Os céstodos fazem parte do Filo Platelmintes (literalmente"vermes achatados”) que se divide na Classe Trematoda e na Classe Cestoda. Os céstodos apresentam ciclos de vida indirectos, o que significa que utilizam mais que um hospedeiro. O hospedeiro final alberga a forma adulta ou sexualmente madura do parasita, enquanto as formas imaturas se encontram num ou mais hospedeiros intermediários.
Estas formas imaturas podem apresentar diferentes formas e tamanhos, contudo são genericamente chamados de “cistos”. As formas adultas são hermafroditas. Os céstodos de importância veterinária colonizam principalmente o intestino (adultos) ou fígado (formas imaturas)

Céstodos em ovinos
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Céstodo no lúmen intestinal

O céstodo de maior importância nos ovinos é a Moniezia expansa (apesar da Moniezia benedeni também poder ser encontrada nesta espécie, ela é predominantemente parasita dos bovinos).

Outros céstodos como a Stilesia globipunctata ou o Thysanosoma actinoides são menos frequentes ou surgem apenas em regiões específicas do globo. A Stilesia hepatica parasita os ductos biliares dos ovinos e de outros ruminantes. Os adultos da Mon iezia expansa podem atingir 1 a 6 metros de comprimento.

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Fezes de ovino com segmentos de céstodo adulto

Os adultos são constituídos por uma “cabeça” ou escólex e por um “corpo” ou estróbilo. São normalmente encontrados no tracto intestinal do hospedeiro. A cabeça contém 4 “ventosas” que permitem a aderência do parasita à parede intestinal. Dependendo da espécie, as ventosas podem ou não estar munidas de “ganchos”, que são utilizados para classificar taxonómicamente os parasitas. A cabeça não contém qualquer abertura, sendo a sua alimentação realizada por absorção através da cutícula a partir do ambiente envolvente. Não existindo um tracto gastro-intestinal nem um sistema urinário, a excreção dos desperdícios faz-se pela mesma via.

O corpo está dividido em segmentos ou proglótidos, visíveis macroscopicamente (a olho nú) nas espécies de maior tamanho. Cada segmento é completamente independente em termos reprodutivos, possuindo órgãos sexuais masculinos e femininos. Após auto fertilização, os ovos desenvolvem-se dentro do proglótido. Os proglótidos que contêm ovos maduros soltam-se na extremidade do corpo do parasita (sozinhos ou em grupos), e são excretados intactos ou desintegrados nas fezes do hospedeiro. Os ovos são depois ingeridos pelos hospedeiros intermediários, desenvolvendo-se as formas imaturas. Os hospedeiros intermediários dos céstodos nos ovinos são os ácaros oribatídeos. A forma imatura que se desenvolve no ácaro oribatídeo é chamada de cisticercoide. Nos casos da Stilesia hepatica e da Houttuynia struthionis, os hospedeiros intermediários ainda não foram identificados, sendo provável que sejam os mesmos dos outros vermes achatados dos ovinos.

O ciclo de vida completa-se quando um hospedeiro final ingere o hospedeiro intermediário contendo a forma cistecercóide. A parede desta forma imatura é digerida, o escólex adere à parede intestinal e o parasita começa o seu crescimento. No caso da Moniezia expansa, os primeiros ovos são excretados nas fezes do hospedeiro definitivos 4 a 6 semanas após a infestação.

Patogenicidade e importância económica
É controversa aceitação do verdadeiro impacto negativo dos céstodos adultos na produtividade dos ovinos. Sendo as infecções naturais muito variáveis na sua magnitude e idades de infecção e dependendo muito as consequências de infecção destes factores bem como do estado imunitário e hígido dos animais, é difícil chegar a uma conclusão exacta acerca das verdadeiras consequências destas infecções.
 
Ainda que de difícil quantificação, é inquestionável o efeito espoliador dos céstodos nos ovinos, entre os quais se incluem diarreia, redução dos ganhos médios diários de peso, polidipsia, depressão entre outros.

A maioria dos autores concorda que as infestações por Moniezia spp  são um problema nos animais jovens, principalmente até ao desmame. As infecções por outras espécies acontecem normalmente mais tarde e não são tão facilmente reconhecíveis.
Controlo
A tendência actual no que respeita o combate de infecções parasitárias é a do estabelecimento de programas de controlo integrado. Controlo integrado significa a utilização coordenada de todos os meios possíveis (químicos e não químicos). Nos meios não-químicos encontra-se a limitação de contacto entre parasita e hospedeiros e a manipulação dos habitats, etc.

Apesar de existirem algumas medidas não químicas que possam ser utilizadas no controlo dos céstodos, elas são na prática de difícil implementação. Nos pastos cultivados onde os ovinos se alimentam, é possível destruir os hospedeiros intermediários através da aragem dos terrenos. Esta medida terá apenas um efeito temporário, e uma nova população de ácaros oribatídeos existirá num curto espaço de tempo.
Os sistemas de maneio onde os ovinos estão estabulados durante a noite e pastam durante o dia, possibilitam a separação temporal entre o hospedeiro e o parasita. Foi demonstrado que os ácaros oribatídeos apenas deixam as raízes das plantas em direcção ao topo das mesmas nas horas mais frias do dia. Nos períodos mais quentes do dia, quando os ovinos estão a pastar, estão menos expostos à infecção.

Contudo, o método mais eficaz no controlo destes parasitas, permanece o tratamento dos hospedeiros definitivos infectados com um cestocida. Esta forma não só protege o animal dos efeitos nefastos do parasita, como também quebra o ciclo de vida, prevenindo a posterior contaminação da pastagem com ovos do parasita.