Ácaros
Sarna Psoróptica
As mudanças estruturais levadas a cabo no maneio da produção animal criam condições
favoráveis ao desenvolvimento e multiplicação de ectoparasitas, entre os quais os ácaros da sarna e
os piolhos (chupadores e mordedores). As infecções sub-clínicas destes ectoparasitas reduzem
consideravelmente a produtividade dos animais.
Por este motivo, as medidas metafiláticas que passam pela higiene e
pelo maneio de todo o rebanho são cada vez mais utilizadas do que os tratamentos terapêuticos à
posteriori.
Os principais ácaros responsáveis pela sarna são os Psoroptes, os
Corioptes e os Sarcoptes.
Epidemiologia e controlo da Sarna
Os ácaros da sarna são transmitidos maioritariamente pelo contacto
directo entre os animais, pelo que a identificação de sarna num animal justifica assumir que todos
os animais do grupo podem estar infectados. De salientar a transmissão entre mães e filhos e entre
macho e fêmea que acasalam.
A infecção de grupos livres de ácaros resulta normalmente da
introdução de animais portadores de ácaros que podem não demonstrar sinais clínicos.
Camas, boxes e vedações são potenciais fontes de infestação, uma vez
que os ácaros sobrevivem semanas fora do hospedeiro (o tempo de sobrevivência depende da espécie).
Factores para a propagação da sarna
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Comércio de animais vivos;
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Ausência de regulamentos veterinários no que respeita o controlo de ectoparasitas nos movimentos de gado vivo entre países;
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Separação dos animais por explorações de recria e explorações de engorda;
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Concentração de animais de diferentes origens em unidades de engorda;
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Controlo irregular de ectoparasitas;
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Ignorância e descuido dos produtores;
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Condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento dos ácaros em conjunto com produção intensiva;
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Os ácaros da sarna costumam afectar localizações corporais específicas, como articulações, por baixo da cauda, ouvidos e fossas orbitais nos ovinos;
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Nos tratamentos por aspersão é fácil falhar o tratamento em algumas zonas, pelo que se deve adoptar uma sequência começando pela cabeça e acabando na cauda, tendo a certeza de que se atingiu toda a superfície corporal dos animais.
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Não existe um acaricida capaz de destruir com eficácia todos os ovos dos ácaros.
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È necessário um segundo tratamento para matar as larvas que eclodiram dos ovos após o tratamento;
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O intervalo de tempo óptimo entre os dois tratamentos é de 7 dias na sarna psoróptica e corióptica e de 14 dias na sarna sarcóptica;
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Os ácaros localizam-se profundamente na pele, ou até sobre as crostas pelo que é difícil os acaricidas atingirem os ácaros directamente por aspersão;
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Deve ser favorecido um produto acaricída com efeito vapor;
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As crostas e espessamentos de pele devem ser removidos mecanicamente antes de aspergir os animais;
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É possível e frequente a infestação sub-clínica;
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Os tratamentos devem ser aplicados em todo o grupo e não individualmente;
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Nos rebanhos de ovelhas, os cães pastores também devem ser incluídos no tratamento;
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Os ácaros da sarna sobrevivem semanas for a do hospedeiro;
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As instalações e vedações das pastagens também devem ser aspergidas;
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É no final do Outono que se inicia a rápida propagação das sarnas;
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Tratar os animais adquiridos por duas vezes na zona de quarentena antes de os juntar com os restantes animais.
Devido ao seu curto ciclo de vida, a doença clínica é de desenvolvimento rápido. Os animais ficam inquietos, apresentam prurido intenso tentando morder e coçar as zonas afectadas perdendo pelo ou lã. Nos animais jovens pode existir um atraso no desenvolvimento, seguido de emaciação severa que pode resultar em morte em infestações muito intensas. Enquanto que no passado a sarna psorótica no passado era considerada rara, é hoje aceite como um problema no maneio das engordas bovinas. A inquietação devido ao prurido, formação de crostas e perda de pelo são os primeiros sinais da infestação por psoroptes.
A doença propaga-se por contacto directo entre os animais, existindo evidências de que há propagação entre ovinos e bovinos. Os ácaros psoróticos podem viver fora do hospedeiro de 10 dias a 6 semanas.
Sarna Sarcóptica
Os ácaros sarcoptes colonizam áreas corporais desprovidas de pêlos. Este é o motivo pelo qual a sarna dos suínos é sempre provocada por este agente. Os ácaros escavem túneis na pele, sugam linfa e alimentação de células da epiderme. Surgem primeiro sintomas agudos como vermelhidão da pele e pústulas, responsáveis por comichão severa. Numa segunda fase surge o espessamento da pele com formação de pregas (pele de elefante). De salientar que poucos ácaros são suficientes para provocar sinais clínicos exuberantes.
Sarcoptes bovis – Sarna sarcóptica
Os ácaros Sarcoptes podem também provocar sarna em cães e gatos. Fora do hospedeiro, os ácaros Sarcoptes podem sobreviver aproximadamente 2 semanas.
Sarna Corióptica
Os ácaros Coriópticos localizam-se preferencialmente nas regiões podais, dos coxis e na base da cauda, onde podem mastigar à superfície da pele provocando inflamações e erosões da pele, conferindo-lhe um aspecto escamoso coberto de pó branco. A denominada sarna podal, coxal ou do rabo pode ocorre nos equinos, ovinos e especialmente nas vacas leiteiras. Nos equinos dá origem a um coçar constante das regiões afectadas, provocando o característico movimento de “vai e vem”.
Fora do hospedeiro podem sobreviver 3-4 semanas.
Estes ácaros são também encontrados em animais saudáveis e em Humanos, necessitando de factores adicionais para provocarem demodecose clínica. A doença tem maior impacto na espécie canina. Noutras espécies, como equinos, bovinos, suínos, ovinos, caprinos podem surgir espécies de Demodex específicas para cada espécie, contudo, traramente provocam doença.
Diagnóstico
Para confirmação parasitológica e identificação da espécie envolvida, é necessário fazer uma raspagem de pele com uma lâmina de bisturi do centro da lesão ou do limite entre a zona lesiona e a zona sã, e colocar a mesma num recipiente fechado.
Ao aquecer o recipiente com as mãos, é frequente a visualização dos parasitas dentro do mesmo a olho nú ou com o auxílio de uma lupa. Para o exame microscópico dos ácaros, especialmente nas amostras obtidas por raspagem, a amostra recolhida pode ser tratada com 5 ml de solução a 10% de hidróxido de potássio, cuidadosamente aquecida, decantando o s sobrenadante e colocando o material sedimentado numa lâmina para visualização ao microscópio.


