Segurança Alimentar
Segundo a definição da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) para Segurança Alimentar, “todos os seres Humanos têm, a todo o momento, direito a um acesso físico e económico a uma alimentação suficiente, sã e nutritiva, que lhes permitam satisfazer as suas necessidades energéticas e as suas preferências alimentares, a fim de levar uma vida sã e activa” (Charvet, 2004) .
Devido ao contraste mundial entre civilizações desenvolvidas e subdesenvolvidas, a expressão “segurança alimentar” pode ter um significado muito diferente consoante a realidade a que se aplica.
Neste sentido, nos países pobres ou subdesenvolvidos utiliza-se a
expressão inglesa “food security”: a principal preocupação é se existe quantidade de alimento
suficiente para alimentar toda a população durante todo o ano. Por outro lado, nos países ricos ou
desenvolvidos, utiliza-se a expressão inglesa “food safety”: a principal preocupação não é
quantitativa, mas sim qualitativa (Charvet, 2004).
Os alimentos são um vector de organismos patogénicos, e as estatísticas mundiais demonstram
um aumento preocupante na incidência de intoxicações alimentares nos países desenvolvidos.
Estas situações são uma ameaça à saúde e bem-estar dos consumidores e
representam perdas económicas consideráveis em termos de dias de trabalho perdidos e custos para os
sistemas de saúde.
A título de exemplo, os custos anuais de intoxicações alimentares
estão estimados em 6.7 biliões de dólares nos Estados Unidos da América, mais de 100 milhões de
dólares na Nova Zelândia e 123 milhões de dólares na Suécia (EU-
RAIN
, 2005).
Ao mesmo tempo que os consumidores dos países desenvolvidos são cada vez mais sensíveis à
qualidade sanitária, organoléptica e sensorial dos bens alimentares, a legislação europeia neste
campo sofreu uma verdadeira “revolução” nas últimas décadas, principalmente com base no Codex
Alimentarius e Livro Branco Sobre a Segurança dos Alimentos. A publicação do regulamento (EC)
nº178/2002 que determina os princípios e normas gerais da legislação alimentar, cria a Autoridade
Europeia para a Segurança dos Alimentos e estabelece procedimentos em matéria de segurança dos
géneros alimentícios, bem como a consolidação da legislação existente, são o culminar dessa
mudança.
Os agentes económicos ligados à produção, processamento e distribuição de alimentos são,
actualmente, obrigados a encarar a cadeia alimentar de uma forma muito mais responsável e
profissional.


