Nemátodos

  nenatodos-suinos
Nemátodo aderente à mucosa intestinal


Dos helmintas que parasitam Humanos e animais, os nemátodos são os que apresentam uma maior importância do ponto de vista económico. Este facto deve-se à ampla variedade de espécies apresentadas pelos nemátodos e ao seu ciclo de vida.

Os danos provocados por estes parasitas variam entre lesões orgânicas (anemias, distúrbios iónicos, disfunções gastro-entéricas) a alterações hormonais e imunitárias. Os sinais clínicos mais comuns são diarreias, alterações pulmonares (parasitas pulmonares, larvas migrantes: tosse, pneumonias, mortes), e ganhos médios diários reduzidos, o que sugere as formas crónicas insidiosas são normalmente de maior impacto económico e epidemiológico que as helmintoses agudas (mais frequentes em animais jovens).

Fenómenos como cólicas e aneurismas (equinos), distúrbios do desenvolvimento, diminuições da produção de leite, lã de má qualidade, carcassas com má conformação, bem como doenças metabólicas e esterilidade são frequentes consequências de infestações parasitárias. As perdas consequentes na rentabilidade da exploração são substanciais e suficientemente relevantes para a exploração em particular e para a economia do país como um todo.

Sinais Clínicos em Suínos:
Strongyloides ransomi
Os leitões infectam-se através do leite. As mães infectadas podem infectar várias ninhadas sem que seja necessária uma reinfecção. Os leitões infectados transmitem ovos que se desenvolvem rápidamente (4-5 dias) em larvas infectantes (3ª fase). Estas penetram por via percutânea e migram pelo organismo. As larvas migrantes provocam lesões pulmonares (e consequentes hemorragias e pneumonias). As larvas das fêmeas migram na mucosa intestinal, provocando perdas substanciais de proteína no sangue, debilidade e anemia. A morte é frequente em leitões jovens.

Os animais infectados apresentam sinais clínicos nas primeiras 2 semanas de vida: atraso no crescimento, apatia, diarreias, alterações dérmicas, petéquias e anemia são os principais sinais clínicos.

Parasitas pulmonares (Metastrongylus spp.)
Infecção provocada apenas pela ingestão de parasitas meaestrongilídeos. Os metaestrongilídeos migram pelo organismo, fixando-se nos pulmões. Os animais mais jovens (< 1 ano) são os mais afectados: bronquite, emaciação, atrasos no crescimento são os sintomas mais comuns.

São igualmente frequentes as infecções secundárias (pneumonias virais ou bacterianas). Os parasitas pulmonares podem conter vírus, como o vírus influenza suíno entre outros.

Hyostrongylus rubidus
Em certas regiões mais de 80% de todas as fêmeas reprodutoras estão infectadas. As larvas desenvolvem-se nas gândulas do fundus da mucosa gástrica e provocam a formação de nódulos. Os parasitas adultos sugam sangue. O resultado são formas agudas de gastrite, úlceras gástricas e anemias. Os principais sinais clínicos são emaciação severa, agalaxia no caso de porcas lactantes, diarreia e distúrbios reprodutivos.

Oesophagostomum spp.
A propagação e severidade da infecção aumenta com a idade dos animais. Apenas o cólon e ceco são invadidos. Em caso de reinfestação aumentam as reacções tecidulares: as larvas penetram na mucosa intestinal provocando a formação de nódulos, sendo comuns as infecções bacterianas secundárias (paratifóide). Os sinais clínicos variam consideravelmente, contudo os mais importantes são a perda de peso, inapetência fezes viscosas com sangue e distúrbios reprodutivos.

Ascaris suum
As larvas migrantes provocam alterações hepáticas e pulmonares, que no caso de reinfestações podem tornar-se complicadas devido a um aumento da imunidade do hospedeiro: hepatite (“milk spots”), dispneia severa, tosse, febre e pneumonia (pneumonia enzoótica). Os parasitas adultos provocam enterite, anemia, distúrbios do crescimento e ganhos de peso diário reduzidos. Pode ainda ser observada icterícia devido à obstrução dos ductos biliares, cianose e oclusão intestinal.

Trichuris suis
A fase histotrófica no intestino delgado é seguida da infecção do ceco e cólon, colite ulcerativa com produção de muco e alterações consideráveis nos valores de proteína sanguínea. Os principais sinais clínicos são mau cheiro, diarreia viscose e sanguinolenta, alterações dérmicas, anemia, emaciaçã e por vezes morte.