Sarnas por Ácaros
Sarcoptes suis
Os ácaros da sarna (Sarcoptes scabiei var. suis) e o piolho
Haematopinus suis são os ectoparasitas dos suinos com maior incidência a nível mundial.
Ocasionalmente são reportados casos de
Demodex suis. Em países tropicais com explorações tipicamente extensivas, infestações de
carraças podem também ser significativas.
A introdução de ácaros e piolhos em explorações não infestadas dá-se
normalmente pela aquisição de animais infestados. A transmissão dentro da exploração faz-se por
contacto directo entre os suinos.
Os machos de cobrição desempenham um papel importante na cadeia de
transmissão. Tanto a sarna como a infestação por piolhos podem ser descritas como doenças
multifactoriais, onde a má nutrição, maneio inadequado, gestação e lactação favorecem a doença. Nos
sistemas de maneio e produção actuais, onde existe uma alta densidade de animais, os ectoparasitas
podem provocar perdas económicas substanciais e colocar em risco a produtividade da criação e
produção de suínos.
Biologia
A sarna nos suínos é provocada por ácaros sarcópticos (Sarcoptes scabiei var. suis). Os ácaros medem cerca de
0.5 mm
de comprimido, e apresentam um corpo circular. Observados ao
microscópio, quando vistos de cima, apenas são visíveis os 2 pares de patas sem segmentação, que
terminam em ventosas.
O desenvolvimento dos adultos inicia-se nos ovos, evoluindo para uma
fase larvar e duas fases de ninfa, levando 21 dias nas fêmeas e 14 dias nos machos. As fêmeas
escavam túneis nas camadas superiores da pele, onde deposita os seus ovos e onde as larvas e as
fases de ninfa permanecem.
O segundo estado de ninfa e os machos encontram-se na superfície da
pele. Fora dos suínos, os ácaros podem sobreviver por 8 dias e segundo estudos recentes, a
temperaturas entre 5-10ºC podem sobreviver várias semanas.
Sinais Clínicos
Sarna auricular
As lesões provocadas pelos ácaros iniciam-se na cabeça (dentro do
pavilhão auricular, base das orelhas, ponte do focinho), propagando-se depois ao resto do corpo. As
secreções salivares dos ácaros dissolvem as camadas superiores da pele.
Os túneis escavados pelos ácaros são cobertos por queratina produzida
pelo estrato germinativo da pele que por sua vez é de novo atacada pelos ácaros, sendo este ciclo
responsável pelas características lesões papulares e crostas. Como resultado da hiperqueratose, a
pele adquire o aspecto espessado em dobras com fissuras.
O prurido intenso leva a que os suinos provoquem feridas lacerações em
si próprios na tentativa de se coçarem, o que está na origem de infecções bacterianas
secundárias.
Perdas económicas
O prurido constante irrita o animal e interfere com a alimentação, com
as taxas de conversão alimentar, e com os ganhos médios diários. As lesões epiteliais provocadas
pelos ácaros inutilizam a pele dos animias para outras utilizações. Em explorações intensivas,
leitões de porcas não infestadas alcançaram ganhos médios diários 22% superiores até ao desmame,
comparativamente a leitões de porcas infestadas. Os machos tratados contra a sarna demonstraram
ganhos médios diários 14% superiores aos grupos de controlo após um período de 16 semanas. Nas
engordas os ganhos médios diários podem ser até 12% superiores nos animais livres ou tratados.
Foi recentemente provado que mesmo infestações sub-clínicas reduzem a
conversão alimentar e prolongam o período de engorda.
Príncipos de Controlo
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Devem ser tratados todos os animais e não apenas os animais infestados;
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Como os ácaros podem sobreviver fora do hospedeiro, a re-infecção apenas pode ser prevenida se as instalações forem completamente limpas e tratadas com uma solução acaricida;
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Na aplicação da solução acaricida deve ser tomada especial atenção ao interior do pavilhão auricular, onde os ácaros obtêm protecção do cerúmen e de placas hiperqueratosas;
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Os ovos dos ácaros não são destruídos por nenhum acaricida, como tal, se forem utilizados produtos com um curto período de acção, é necessário a repetição do tratamento após 14 dias de acordo com o ciclo de vida do parasita;
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Para erradicar ácaros das explorações suínas, os canais de infecção devem ser interrompidos, os machos que fazem o serviço devem ser tratados a cada seis meses e as porcas reprodutoras devem ser tratadas antes da transferência para as maternidades;
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Os animais adquiridos devem ser tratados convenientemente antes de serem juntos aos restantes animais.


